domingo, 4 de dezembro de 2016

Sobre o que acontece dentro de mim.

Começa como um leve incômodo. Um não saber o que é. Aquele friozinho que dá quando a angústia chega. Em seguida, tudo vai se tornando mais complicado. As pernas inquietas. As mãos a tremer. A arritmia. Tento desviar os pensamentos para amenizar a agonia que vai tomando conta de mim cada vez mais rapidamente. Falho. O leve temor de início se torna pânico e a angústia, tristeza. Paro de lutar contra o que sinto e dou a mão ao sofrimento. Deixo ele preencher meus pensamentos porque sei que qualquer batalha seria em vão. Sinto raiva de não ser forte e de todas as adversidades que apareceram. Tenho pena de mim, mesmo sabendo que, fora o transtorno que traz esse turbilhão de emoções, sou uma pessoa que teve muita sorte na vida. Queria que isso fizesse diferença pra mim, mas meu raciocínio e sensatez ficam ofuscados pela maré de sentimentos negativos. Espero que a tristeza desta vez passe mais depressa. Às vezes fica meio desesperador esperar. Fantasio dezenas de mortes. Pesquiso diversas maneiras. Ensaio, mas ao fim não tenho coragem. Não sei se por ainda restar um fio de esperança que as coisas vão melhorar ou se por medo de que depois daqui possa vir algo pior.

sábado, 26 de novembro de 2016

Sobre o mar de sentimentos


Lembro que sempre pensei sobre mim, quando as coisas começam a sair do controle, como alguém se afogando em um mar de sentimentos. A intensidade com que eles chegam a mim tiram meu ar. Não é apenas tristeza, é depressão; não é vontade, é obsessão; não é alegria, mas sim euforia; não é raiva, é explosão de ira. A carência faz com que também sufoque quem está ao meu lado. Sufoco com medo de perder e assim, de toda forma, termino perdendo. Queria ter um botãozinho que desligasse um pouco essa capacidade de sentir, pra que pudesser me estabilizar emocionalmente e poder continuar. Queria uma solução mais prática e rápida pra que assim eu não machuque quem eu amo e que não me machuque também. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Sobre minha vida



Nunca pensei que fosse entrar na casa dos 30 sendo um verdadeiro fracasso. Nada do que tenho é realmente meu, a não ser dívidas e decepções. Não consigo ver em mim nenhuma qualidade e nem consigo sentir qualquer ânimo nem vontade de seguir em frente. Por mim, findaria agora, antes que as coisas possam piorar. Sinto muito se podem achar drama demais da minha parte. Creio que não tenho culpa dessa confusão e exagero que são meus sentimentos. As vezes a dor e o vazio se tornam tão fortes que eu  sinto dificuldade em respirar e entro em desespero. Queria conseguir driblar isso, mas fico em uma encruzilhada entre paralisação ou ações impulsivas. E não sei lidar com nenhuma das duas direções.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Sobre mim



Eu queria entender a depressão. Realmente queria. Não a questão bioquímica que envolve, isso eu já sei, mas o mais profundo, o sentimento em si. Como tudo começa a se deteriorar dentro de nós, assistimos a tudo, protagonistas (ou seria ela a protagonista?) e expectadores.

Eu me irrito um pouco quando falam "não se deixe levar pelo sentimento", "vá se distrair", "não se entregue". Não é uma questão de opção. Eu não escolho que ela me domine. Eu posso fazer todo esforço do mundo e sair da cama, sair de casa, mas ela continua ali dentro de mim.

Distribuir sorrisos falsos e fingir uma alegria que não sinto, não faz minha dor parar. Distrações não são verdadeiras. No meu pensamento vem apenas: logo mais estarei sozinha com ela novamente. E as pessoas vão me incomodando. Acho que invejo a alegria delas.

O próprio ato de levantar da cama já é uma luta imensa pra mim. Tudo se torna um obstáculo: ter de me arrumar, ter de dirigir, o trânsito, as pessoas e os barulhos. E pra quê? Continuarei só no meio de um monte de pessoas. Lutar para parecer normal. Mas eu não me sinto normal.

Pessoas normais não têm essa compulsão e necessidade extrema de que gostem delas. Pessoas normais, quando desprezadas, mudam o foco e esquecem quem as desprezou. Eu não. O desprezo parece uma reação merecida por algum erro que cometi e que preciso mudar isso. Aí penso que agradando poderei me redimir. Mas no final, aparento ser mais insuportável e paranóica. Afasto as pessoas de mim.

Em geral, tento manter distância, guardar os sentimentos e vivrr superficialmente ao lado dos outros. Talvez assim posso parecer uma pessoa tolerável. Não importa se não sou eu. As pessoas não estão preparadas para conviver com quem eu sou ou, na verdade, eu nunca estive preparada para me relacionar saudavelmente com ninguém. Crio histórias d repulsa e abandono na minha cabeça, que com minhas atitudes, passam a se tornar realidade.

Bajulo quem me despreza. Agrido quem me ama. No fim, terminarei com uma única e temida companhia: eu mesma.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Desculpe o transtorno... sobre o borderline

Descobri há algum tempo que o que imaginava serem crises depressivas com intervalos curtos de normalidade era na verdade um transtorno de personalidade, chamado de transtorno de personalidade borderline, ou transtorno de personalidade limítrofe.
Basicamente é uma pessoa que vive entre a linha tênue entre normalidade e insanidade.
Confesso que isso me baqueou bastante. Claro que eu conhecia meu jeito. Não é falsa modéstia, mas mesmo com essa carapaça carrancuda, eu sou apaixonada por pessoas. Tenho uma facilidade imensa por me apegar a elas. Em contrapartida, isso pode assustar alguns. Além disso convivo com um medo 24h por dia do abandono. O que me causa ansiedade extrema. É tipo um vício de atenção e de me sentir protegida e amada.
Um lado complicado deste transtorno é a minha dificuldade em lidar com frustrações e medos, que qualquer pessoa lidaria com pouca dificuldade. Pra mim são verdadeiros desafios. Tenho crises de ansiedade, explosões de raiva, algo parecido com ataques de criança mimada. E eu me sinto mal por isso.
Infelizmente, as pessoas que mais me amam, além de mim, são as mais afetadas. E embora faça tratamento, psiquiatrico, medicamentoso e terapêurico, ainda não se tem uma cura para esse transtorno e saber que vou conviver mto com ele me desespera.
Tenho atitudes autodestrutivas e impensadas. E me arrependo.  Busco no álcool um refúgio. Na vdd, eu que sempre quis controlar td, hj n me vejo nem capaz de controlar a minha vida.
Trocaria tanta coisa, por uma vida normal...

domingo, 31 de julho de 2016

Sobre meu transtorno e como ele me afeta.


Estou cansada de ser um fardo, um peso morto. Alguém que os outros evitam por estar sempre insatisfeita. As vezes, falar o que incomoda parece ajudar a dividir com alguém o que está incomodando minha mente. Eu sinto que em alguma parte do caminho, eu dobrei em alguma direção que me levou ao lugar errado. Por mais que tente encontrar o caminho certo, parece cada vez mais difícil. É complicado pra mim ter que lidar com essa solidão, que me preenche. Não sou uma boa companhia pra mim mesma. As vezes penso que não acordar de manhã seria um presente. Não desmerecendo as pessoas que gostam de mim e de quem gosto. Mas é como eu disse, as vezes é bem complicado e a cada passo errado que dou, fico mais distante do caminho certo. Sinto que fracassei e não sei lidar com fracasso, embora ele sempre tenha feito parte da minha vida. Pode parecer exagero, pode até ser, na verdade, mas eu tenho vivido nesse exagero de sentimentos a vida toda. Não sei se teria como ser diferente.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sobre o preconceito

Nasci do sexo feminino, o considerado sexo frágil. Aqui, se uma mulher se veste de modo considerado provocativo ou se relaciona com uma quantidade que a sociedade considere alta de companheiros, é considerada puta. Em contrapartida, se fosse homem, seria garanhão. Vejo textos que atribuem a culpa às mulheres de abusos e estupros sofridos por homens. Vejo mulheres concordando com esses textos e neste momento me envergonho. Nossa sociedade, por vezes, é machista demais. Daí também que sou o que chamam de parda (uma mistura de todas as raças que existe neste nosso Brasil), minha pele é escura e não tenho vergonha disso. Embora na infância, no colégio e no prédio, zombassem da minha cor, sempre gostei dela. Nossa sociedade, por vezes, é racista demais. Além disso, sou lésbica. Algo que demorei a aceitar, porque fui criada com a mentalidade de que aquilo faria de mim uma pessoa pior. Tinha medo que meus pais me odiassem e que nunca fosse aceita. Fui aceita e, não, eles não me odeiam. E isso também não fez de mim pior, aceitar quem sou me libertou de fingir ser quem não era. Hoje sou casada com a mulher que amo. Vez ou outra ainda leio algumas atrocidades a esse respeito. Não, não sou aberração e não creio que deva ser apedrejada até a morte ou queimar no inferno quando morrer porque o Deus em quem eu creio tem atitudes fundamentadas no amor. Mas nossa sociedade, por vezes, é homofóbica demais. Além de tudo, sou nordestina, recifense com orgulho. Até meio bairrista, às vezes, porque defendo minha terra e meu povo. Li em muitos textos, principalmente na época da eleição, vários xingamentos e dúvidas sobre nossa capacidade intelectual. É verdade que no nordeste temos vários problemas (como tantos outros existem nas demais regiões do país), mas nosso povo é trabalhador e faz de sua capacidade de vencer obstáculos e sobreviver uma de suas maiores armas. Mas novamente, nossa sociedade, por vezes é preconceituosa demais. Menos preconceito, minha gente, em todas as suas formas. Vamos gastar nosso tempo preocupando-nos com nossa própria vida e parando de julgar a vida alheia. Acho que só com isso, já contribuímos e muito. Mais gentileza e amor com as outras pessoas. Todos merecemos respeito.