Acho que se quando criança eu soubesse quanto a infância faria falta pra mim agora que sou adulta, certamente teria aproveitado muito mais. Tão boa a época que não se tinha preocupação com nada, as cobranças eram mínimas: uma notinha boa na provinha da escola, tentar não quebrar novamente o vidro da janela do vizinho, não comer toda a caixa de chocolates antes do almoço. Problemas com dinheiro? Nada. No máximo, era só o de contar as moedinhas pra comprar bala na banca da esquina.
E gosto de infância então? Fica na memória pro resto da vida. O bolinho de feijão com farinha que a vó da gente fazia na hora do almoço e o pudim de leite de sobremesa; biscoito guffs com ki-suco de laranja, que a gente tomava no colégio; geléia de mocotó embasa; aqueles chicletes e bombons maravilhosos (mini-chiclets, xaxá, soft).
Naquela época se podia brincar na rua: pega-pega, esconde esconde, barra bandeira, batatinha frita 1, 2, 3. Andar de bicicleta pelo quarteirão, sem medo de roubo ou sequestro.
Às vezes fico pensando nisso e bate um desânimo, uma vontade de impedir que o tempo passe. Crescer dá muito trabalho, traz muitas preocupações. Daí eu olho para meu avô, vejo um senhor de 87 anos, que ama a vida e soube aproveitar cada etapa dela e a animação logo volta. O importante não são os anos que passam cada vez mais rápido e castiga nosso corpo, e sim manter o espírito jovem. Viver e gozar de cada momento que for vivido.
Feliz dia das crianças para todo aquele que conserva em sua essência parte da doçura e alegria da infância!


