domingo, 31 de julho de 2016

Sobre meu transtorno e como ele me afeta.


Estou cansada de ser um fardo, um peso morto. Alguém que os outros evitam por estar sempre insatisfeita. As vezes, falar o que incomoda parece ajudar a dividir com alguém o que está incomodando minha mente. Eu sinto que em alguma parte do caminho, eu dobrei em alguma direção que me levou ao lugar errado. Por mais que tente encontrar o caminho certo, parece cada vez mais difícil. É complicado pra mim ter que lidar com essa solidão, que me preenche. Não sou uma boa companhia pra mim mesma. As vezes penso que não acordar de manhã seria um presente. Não desmerecendo as pessoas que gostam de mim e de quem gosto. Mas é como eu disse, as vezes é bem complicado e a cada passo errado que dou, fico mais distante do caminho certo. Sinto que fracassei e não sei lidar com fracasso, embora ele sempre tenha feito parte da minha vida. Pode parecer exagero, pode até ser, na verdade, mas eu tenho vivido nesse exagero de sentimentos a vida toda. Não sei se teria como ser diferente.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sobre o preconceito

Nasci do sexo feminino, o considerado sexo frágil. Aqui, se uma mulher se veste de modo considerado provocativo ou se relaciona com uma quantidade que a sociedade considere alta de companheiros, é considerada puta. Em contrapartida, se fosse homem, seria garanhão. Vejo textos que atribuem a culpa às mulheres de abusos e estupros sofridos por homens. Vejo mulheres concordando com esses textos e neste momento me envergonho. Nossa sociedade, por vezes, é machista demais. Daí também que sou o que chamam de parda (uma mistura de todas as raças que existe neste nosso Brasil), minha pele é escura e não tenho vergonha disso. Embora na infância, no colégio e no prédio, zombassem da minha cor, sempre gostei dela. Nossa sociedade, por vezes, é racista demais. Além disso, sou lésbica. Algo que demorei a aceitar, porque fui criada com a mentalidade de que aquilo faria de mim uma pessoa pior. Tinha medo que meus pais me odiassem e que nunca fosse aceita. Fui aceita e, não, eles não me odeiam. E isso também não fez de mim pior, aceitar quem sou me libertou de fingir ser quem não era. Hoje sou casada com a mulher que amo. Vez ou outra ainda leio algumas atrocidades a esse respeito. Não, não sou aberração e não creio que deva ser apedrejada até a morte ou queimar no inferno quando morrer porque o Deus em quem eu creio tem atitudes fundamentadas no amor. Mas nossa sociedade, por vezes, é homofóbica demais. Além de tudo, sou nordestina, recifense com orgulho. Até meio bairrista, às vezes, porque defendo minha terra e meu povo. Li em muitos textos, principalmente na época da eleição, vários xingamentos e dúvidas sobre nossa capacidade intelectual. É verdade que no nordeste temos vários problemas (como tantos outros existem nas demais regiões do país), mas nosso povo é trabalhador e faz de sua capacidade de vencer obstáculos e sobreviver uma de suas maiores armas. Mas novamente, nossa sociedade, por vezes é preconceituosa demais. Menos preconceito, minha gente, em todas as suas formas. Vamos gastar nosso tempo preocupando-nos com nossa própria vida e parando de julgar a vida alheia. Acho que só com isso, já contribuímos e muito. Mais gentileza e amor com as outras pessoas. Todos merecemos respeito.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sobre meus pensamentos...


Acredito que seja o sonho de muitas mulheres encontrar seu "príncipe encantado", aquele com quem ela passará o resto da sua vida. Bem, esse nunca foi o meu. Era estranho me imaginar casada e vivendo com um homem. Acho que sempre percebi que era diferente, mas tinha muita timidez e falta de coragem para sair do armário. Cresci. Vi que príncipes e princesas encantadas não existem na vida real. O que existem sao pessoas que são compatíveis com os nossos sonhos, mas que possuem qualidades e defeitos que aprendemos a conviver. 

O casamento não é um sonho que se sonha sozinha. Eu estaria mentindo se dissesse que tudo será extraordinário no dia e em todos os que virão a seguir. Nem todos que gostaria que estivessem comigo, estarão. Alguns porque não estão mais aqui, outros porque não se sentem a vontade de ir. 

Hoje minha mãe falou comigo algo que me magoou. Na verdade, não foram nem as palavras em si, foi o jeito que elas foram ditas. Cheias de preconceito e nojo. Eu não respondi. Faltaram palavras, faltou o chão. Eu senti um aperto no peito e uma tristeza imensa. Eu já sabia da dificuldade de aceitação e a respeitava. Eu já havia me conformado em caminhar sozinha até o altar. Não sei se ela enxerga a minha opção de seguir e aceitar minha orientação sexual como uma afronta. Nunca foi. Eu só escolhi ser feliz. Dói saber que minha felicidade agride a pessoa que eu mais amo na vida. 

Sinceramente não sei como será pela frente. Será que meus filhos serão aceitos? Que minha esposa será sempre "aquela sua amiga"? Ela não é apenas minha amiga, mãe. Ela é a mulher que eu amo, que cuida de mim e de quem eu cuido. Ela me tirou da sarjeta quando minha auto estima estava escorrendo pelo esgoto. Ela fez com que eu me sentisse amada e me ajudou a me reerguer. 

Eu não tenho e nunca tive vergonha de assumir meu compromisso com ela e de me casar. Eu me sinto lisonjeada que ela me escolheu e satisfeita por tê-la escolhido. Desculpe se não era isso que você queria de mim, mas não me condene por seguir minha vida.

Acho que você se importa demais com a opinião dos outros e tem vergonha de ter uma filha homossexual. Eu não me importo com que os outros acham. Sei quem sou. Eu não me considero uma pessoa ruim, tenho meus defeitos, mas sou estudiosa, esforçada, trabalhadora, determinada, sei ser engraçada quando me sinto à vontade em um ambiente e ser gentil com os outros. É injusto resumir quem sou num esteriótipo preconceituoso. Queria que você enxergasse isso. 

Queria também que você pudesse se lembrar da menina magrinha e de olhar triste que se agarrava na suas pernas e que tinha medo de tudo. Hoje ela rompeu seus medos e preconceitos, se aceitou e só quer ser feliz. Queria poder dividir essa felicidade com você.

 Bem... Acho que era só isso que eu tinha pra dizer. Eu te amo, mãe. Seja feliz.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Sobre os pesadelos

Os pesadelos têm se tornado mais frequentes. Tenho dormido pouco e acordado tremendo de frio. Talvez seja o frio que me mantém acordada, costumo pensar. Ou quem sabe o medo. Não saber o que vem em seguida. Não poder planejar algum escape para as ondas que me engolem no pesadelo. Não ter ideia de que realidade irei "viver" quando meus pulmões se encherem de água e eu não conseguir mais respirar... O escuro e o vazio ou a luz? É muita prepotência ou é apenas ingenuidade esperar pela luz? Não sei se sou merecedora ou não... Também não conheço os pré-requisitos pra sê-la. Tento ser positiva e fingir não ligar... Mas sei que não engano ninguém. No final, torno-me a afogar em minha angústia. 

sábado, 17 de novembro de 2012

Pra Sonhar!

Música linda, clipe perfeito ♥ :)

 

Pra Sonhar - Marcelo Jeneci 


Quando te vi passar fiquei paralisado
Tremi até o chão como um terremoto no Japão
Um vento, um tufão
Uma batedeira sem botão
Foi assim viu
Me vi na sua mão
Perdi a hora de voltar para o trabalho
Voltei pra casa e disse adeus pra tudo que eu conquistei
Mil coisas eu deixei
Só pra te falar
Largo tudo
Se a gente se casar domingo
Na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?
Ave maria, sei que há
Uma história pra sonhar
Pra sonhar
O que era sonho se tornou realidade
De pouco em pouco a gente foi erguendo o nosso próprio trem,
Nossa Jerusalém,
Nosso mundo, nosso carrossel
Vai e vem vai
E não para nunca mais
De tanto não parar a gente chegou lá
Do outro lado da montanha onde tudo começou
Quando sua voz falou:
Pra onde você quiser eu vou
Largo tudo
Se a gente se casar domingo
Na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?
Ave maria, sei que há
Uma história pra contar
Domingo
Na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?
Ave maria, sei que há
Uma história pra contar
Pra contar

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sobre o passageiro

Estupidez achar que alguem mais se importava. As vezes me cubro da ingenuidade do passado e acredito nas boas intencões e no carinho de quem conheci ontem... Como se fosse suficientemente interessante e realmente bem quista... Sempre patética, pedante e pegajosa. Se agarrando ao pouco de atenção que recebo porque sei que ela não irá durar o bastante...

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sobre às vezes...

Não sei bem como lidar com meus sentimentos. Não consigo controlar o que se passa em minha cabeça, nem entender o porquê de me sentir desta maneira. Às vezes (ultimamente, na maioria delas), eu acordo e fico perdida na tristeza, e ela vai me consumindo...  Mergulho no ócio e o desânimo vai invadindo cada pedacinho do meu ser. Penso em me erguer, jogar para o lado as cobertas, mas é como se alguma força me prendesse à cama. como se o viço e a alegria que sentia antes não tivessem mais razão de ser. O corpo vem ficando  fraquinho, já não consegue erguer o peso dos medos que visto. Procuro ajuda em todos os lugares, quando deveria encontrá-la em mim. Mas ela não está. Será que estou pronta para recebê-la quando vier? Pode parecer exagero tudo que falo. Acho que meu problema é ser exageradamente sentimental e ter guardado isto por tanto tempo na casca de frieza que me envolvia. Desde que a casca se rompeu, e que foram reveladas as minhas fraquezas para todos, é como se não tivesse mais motivo para disfarçar. Deveria aceitar então, que talvez meu destino seja conviver com a melancolia e abraçar a tristeza. Tentar tirar dela algo bonito. Mas tentar lutar contra ela nos dias bons. Rezar baixinho para que mais sejam esses dias e que as cores voltem a fazer parte da minha vida. E que um dia, novamente, eu me sinta merecedora de ser feliz...mesmo sabendo que a felicidade não será para sempre.